No dia 18 de novembro, o Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, enviou à Direção do Programa -A Grande Família- da Rede Globo de Televisão uma carta destacando a manifestação da categoria diante do comportamento do personagem -Libório-, um farmacêutico.
Embora, ainda não tenha respondido diretamente à solicitação do CFF, a Rede Globo enviou o seguinte comunicado:
Ao Conselho Federal de Farmácia
Agradecemos sua audiência e respeitamos a sua opinião.
Garantimos que sua crítica foi cuidadosamente lida e será encaminhada aos responsáveis.
Ainda assim, gostaríamos de esclarecer que não houve qualquer intenção dos autores da série de denegrir a imagem dos profissionais de área farmacêutica.
Temos consciência da importância da televisão, por isso mesmo a Rede Globo tem sempre demonstrado preocupação com seu papel social.
Vale lembrar, entretanto, que os programas humorísticos como A Grande Família são obras de ficção, sem compromisso com a realidade. Como "entretenimento", estão abertas a toda sorte de criação artística.
A história é resultado da imaginação do autor, está no terreno da fantasia, sem qualquer vínculo necessário com a realidade.
Apesar de todo o cuidado que a emissora tem em contextualizar as suas tramas, a dramaturgia da Rede Globo não se propõe a substituir o poder público e o papel dos órgãos de regulamentação da saúde.
Baseamos nosso relacionamento com o telespectador na transparência e no respeito, procurando nos aprimorar cada vez mais para continuarmos sendo a televisão preferida dos brasileiros.
Cordialmente,
Rede Globo
Carta do Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, enviada no dia 18 de novembro
Senhor Diretor-Geral,
O episódio intitulado -Vide Bula-, do programa -A grande Família-, que foi ao ar, na noite de ontem (17.11.11), trouxe inverdades e agressões à Profissão farmacêutica que resultaram em um grande número de manifestações de farmacêuticos, em todo o País, e nos deixaram perplexos, pelo grau de incorreções veiculadas sobre a nossa amada Profissão.
Ainda que saibamos tratar-se de uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade, o referido programa, por outro lado, é um formador de opinião. Por conseguinte, entendemos que ele deve ter compromissos com a verdade das profissões, sim, como a Farmácia.
E a nossa verdade é outra da apresentada no programa de 17.11.11. Farmacêuticos são profissionais de nível superior, dotados de um alto grau de qualificação técnico-científica, além de humanismo, e que possuem grandes responsabilidades sociais.
São autoridades em medicamentos e, por questões éticas, humanísticas, técnicas e legais, jamais cometeriam ações tão abomináveis, como as que lhe foram imputadas em -A Grande Família- da última quinta-feira.
Um farmacêutico jamais iria prevaricar, dando -um jeitinho-, como fez o personagem Dr. Libório, dispensando antibiótico sem a apresentação da prescrição médica ou do dentista, nem um medicamento contra a insônia. Um farmacêutico sabe dos malefícios contidos na venda irracional desses produtos, a exemplo da resistência microbiana e da dependência psíquica.
Por isto, os profissionais, no Brasil inteiro - e sob a liderança do Conselho Federal de Farmácia -, sempre, defenderam o controle na venda de antibióticos e de outros produtos.
O Dr. Libório de -A Grande Família- é, portanto, um escroque e, pela pobreza manifestada em sua fala, é um leigo e não um farmacêutico. Por conseguinte, ele não traduz, em hipótese alguma, a natureza do farmacêutico.
Diante do exposto, solicitamos-lhe a correção dos equívocos.
Sem mais, agrademos pela atenção.
Jaldo de Souza Santos,
Presidente do Conselho Federal de Farmácia.
Telefone (61)2106-6535.
E-mail: presidencia@cff.org.br
Ilmo Sr. Luis Felipe Sá,
Diretor -Geral de -A Grande Família-
-TV Globo-.
Fonte: CFF
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